quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PERSPETIVAS COGNITIVAS - Um olhar interior de e com futuro


Fruto do Evento ADEGANHA aldeia viva, desenvolveu-se esta PERSPETIVAS COGNITIVAS, um olhar de dentro e para o futuro de uma simples atividade de envolvimento comunitário com os seus valores e tradições, numa visão geral do seu relacionamento para com os ciclos da natureza.

Adeganha é simples exemplo de uma aldeia do interior, pertencente à terra quente transmontana, onde a severidade do seu clima e meios de subsistência, dificultam a permanência dos mais jovens por estas terras, deixando ao (des)abrigo uma população envelhecida, mas persistente, detentora de nobres valores, hoje já um pouco em desuso.

Esta atividade só teve significado e expressão devido á envolvência da população local, que soube interpretar e valorizar todas as atividades com a sua participação e empenho. Este é um aspeto a agradece e a engradecer.

Muito gratos estamos pelo apoio e mecenato dos habitantes desta aldeia que tornaram possível esta exposição bem como outras atividades complementares. Agradecemos também a todos os colaborantes e participantes no evento, que de uma forma ou de outra o tornaram especial.

Convidamo-lo então a disfrutar e a recordar, para que parte destes valores possam ser perpetuados noutras atividades, de forma a serem transmitidos a gerações futuras. Património é identidade, património somos nós! E nós somos e fazemos património.


A todos um bem haja,

GRUPO DE AMIGOS DA ADEGANHA

 
Mecenas desta exposição: Emília Maia; Júlio Pinto; Rui Vilela; Isilda Gaspar; Naír Trindade; Manuel Tomé e Alice Ramos; Sofia Barros; Alberto Vilela; Abel Raimundo; Alzira Ramos; Aida Paula e Agostinho Teixeira; José Póvoa; Branca Rainha; Manuel Tomé; Paulo Tomé; António João (…); António Júlio Tomé; Manuel Moisés; Amélia Trindade; Antónia Mateus; António Paula; Sónia Paula; Cacilda Catarino; Cândida Trindade; Virgínia Cordeiro; Bernardete Valente; José Cordeiro; Lúcia Pinto; Guilhermina Valente; Carlos Manuel Moisés; Benedita dos Santos; Fernando Tomé; Óscar Tomé; Berta Martins; António Manuel Silva; Filomena Trindade; Maria Angélica Lages; Renato Guimarães; Josefina Barros; Graça Vilela; Ofélia Fernandes; Sérgio Trindade; Miguel Telmo (…); Guilherme Pinto; Octávia Gaspar; Anónimo; Anónimo.


Um especial agradecimento a todos que registaram o evento e os preparativos de modo a que pudéssemos constituir um fundo fotográfico desta memória coletiva: João Monteiro, Paulo Maximino, Célia Gomes, Lourenço Rosa, Paulo Dordio, Alma de Ferro (Camané), Aníbal Gonçalves, Patricia Fuentes Melgar, André Rolo, Arnaldo Silva, Andreia Póvoas, Isabel Coelho, Bruno Moreira, Leonel Brito, Grupo de amigos da Adeganha.

Exposição fotográfica - 26 de Agosto – 15h - Escola Primária da Adeganha
 
 
 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ENSAIO - dar vida e cor

 
 







ADEGANHA COM COR


Após uns dias de grande alegria com o evento “adeganha aldeia via”, a freguesia da Adeganha, mais propriamente os lugares da Junqueira e Adeganha, foram atingidos por um incêndio que dizimou alguns hectares de floresta de Sobreiros, Azinheiras e Zimbros.

Ficou um manto negro na encosta Oeste do planalto da fragada. Parte do caminho de acesso ao Santuário de Nossa Senhora do Castelo, foi atingido, deixando a população bastante entristecida por estar próximo a festa da referida Santa, e por parte da paisagem ter ficado sem vida e sem cor.

Visto isso, o Grupo de Amigos da Ageganha, sugeriu à população local fazer-se flores de papel para dar cor ao percurso e à festa, para que simbolicamente o manto negro fica-se com alguma vida.

O trabalho que tem vindo a ser feito só foi possível devido à amabilidade do Sr. João Vital, mordomo da FESTA DOS TABULEIROS de Tomar, e à Leonor e ao Pedro, a quem agradecemos do coração, que nos forneceram algum material para a realização das ditas flores. Agradecemos também a todos que tem vindo à antiga escola-primária ajudar, dando assim vida e cor a este espaço, devolvendo de novo pelo recordar do papel o sentimento de sermos de novo crianças.

Apesar dos prognósticos meteorológicos para o dia da festa, faça chuva ou vento, certo é que a Adeganha continua viva e com cor.

Convidamo-lo a vir à Festa de Nossa Senhora do Castelo para desfrutar do convívio e da paisagem para a Vilariça.

 A todos bem haja,
GRUPO DE AMIGOS DA ADEGANHA
 


terça-feira, 17 de julho de 2012

A MALHADA PASSOU MAS A FESTA NÃO PARA

Foi tudo tão rápido e intenso para nós que só agora começou a assentar a poeira.
Os Ensaios, a Festa, o Rescaldo e o Balanço. A intensidade através de imagens que irão surgindo por aqui, resultado dos vários olhares que nos acompanharam e acompanharão.

As cores, os sabores, os cheiros e os sons através dos olhos do Bruno Moreira, do André Rolo e do Aníbal Gonçalves.  Da malhada ficou-nos o aprumo do cereal, o tom dourado do mar de palha, a sincronia dos malhos e sobretudo o som. A batida seca. Alguém tem registo daquele som?

Malhada (por Patrícia Fuentes)

Novos passos nesta caminhada transmontana se darão e o melhor é continuar atento.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Bem haja a TODOS!

Adeganha Aldeia Viva pretendeu ser um fragmento de segundo, onde por momentos e a partir de diversas atividades, se podesse reflectir em consciência sobre os valores comunitários de outrora vividos nos meios rurais de Trás-os-Montes onde, apesar da dureza, não faltavam oportunidades de convívio e boa disposição. Tudo isto foi alcançado e superado!

Agradecemos de coração aberto a todos os que nos visitaram e a todos que, de um modo ou outro, tornaram possível este momento de partilha e convívio. A TODOS UM BEM HAJA!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sabes segar e malhar...

(...)
A sementeira começava nos primeiros dias de Outubro e estendia-se até finais de Dezembro. Passada a época de chuva e geada, os meses de Maio e Junho assisitiam ao acto da segada, fazendo juz à quadra popular:
Em Março, sargoaço.
Em Abril, pendil.
Em Maio, engradai-o.
Em Junho, seitora ao punho. (1)

(1) Quadra popular recolhida na aldeia da Adeganha por Paulo Maximino. 2012.


Conjuntos de homens trabalhavam, assim, de “sol-a-sol”, ceifando os campos com o auxílio de uma seitora e a protecção de dedeiras feitas de couro, e reunindo o cereal em molhos que seriam de seguida transportados para as eiras por meio de carros de bois ou ao dorso de animais – a acarreja.

Nas eiras, lajes naturais relativamente aplanadas que existiam um pouco por todo lado nos campos da Adeganha, amontoavam-se os molhos de cereal, formando mêdas, construções de formato cónico que por vezes chegavam a atingir altura superior a 5 metros. Esperavam o início da malhada, processo através do qual se separa o grão da palha, e que poderia se estender para além do mês de Julho, embora como localmente se diga por ser já tarde demais, “quem malha em Agosto, já malha a contragosto.”

(...)

Texto: Paulo Maximino


Queres provar? Suplicas e económicos...


Na Adeganha, em dias de festa, era habitual ter sobre a mesa alguns doces tradicionais, sendo os mais comuns, no Natal, a Bola Lêveda (filhós); na Páscoa, a Bola Doce e, nos dias de festa em geral, as Súplicas e os Económicos.
As Súplicas e os Económicos eram vistos frequentemente nas feiras, festas e romarias transportados em belos cestos, cobertos por toalhas brancas de linho, e apregoados por simpáticas vendedoras. A este respeito, os habitantes desta aldeia recordam, com saudade, a tia Zefa (Josefa) que aqui vinha vender, na festa de S. Sebastião, licor de canela, Súplicas e até mesmo Cavacas.
(...)
Texto: Inês batista
Fotografias: Célia Gomes