quarta-feira, 11 de julho de 2012

SARAMAGO e a Adeganha

"Esta estrada vai dar à aldeia de Estevais, depois a Cardanha e Adeganha. O viajante não pode parar em todo o lado, não pode bater a todas as portas a fazer perguntas e a curar das vidas de quem lá mora. Mas como não sabe nem quer despegar-se dos seus gostos e tem a fascinação do trabalho das mãos dos homens, vai até à Adeganha, onde lhe disseram que há uma preciosa igrejinha românica, assim deste tamanho.
(...)

Enfim, a igreja é esta. Não caiu em exagero quem a gabou. Cá nestas alturas, com os ventos varredores, sob o cinzel do frio e da soalheira, o templozinho resiste heroicamente aos séculos. Quebraram-se-lhe as arestas, perderam a feição as figuras representadas na cachorrada a toda a volta, mas será difícil encontrar maior pureza, beleza mais transfigurada. A igreja de Adeganha é coisa para ter no coração, como a pedra amarela de Miranda".

(José Saramago, "Viagem a Portugal" Prémio Nóbel da Literatura)

Fotografia: Ana Rita Ferreira

terça-feira, 10 de julho de 2012

Para além dos nossos olhos...


A igreja matriz de Adeganha é um dos mais preciosos templos românicos de Portugal, sendo considerada uma das características do período denominado tardo-românico. Foi construída no século XII, segundo uns ou XIII segundo outros, nos tempos do primeiro grande estilo medieval. No seu interior podem-se vislumbrar nas suas paredes belissinos frescos alusivos ao santo padroeiro São Tiago Maior, assim como, à vida de Cristo. Alberga também altares de talha dourada e lindas imagens.

Este monumento é considerado monumento nacional desde 1944.

JÁ CONHECE POR FORA? VENHA CONHECÊ-LA POR DENTRO ;)





Imagens gentilmente disponibilizadas pelo Professor e Amigo Arnaldo Silva, Núcleo Museológico da Fotografia do Douro Superior.







domingo, 8 de julho de 2012

Preparativos... Anda tudo louco!


Já se faz pouse para a fotografia, já se afina a voz, e já se prepara os vestidos para a FESTA. Todos querem fazer boa figura. A adeganha está VIVA! Visitem-nos...







EMENTA da COMISSÃO FABRIQUEIRA DA SR.a do Castelo no dia da festa

O santuário da Nossa Senhora do Castelo da Adeganha, encontra-se a realizar obras de melhoramento da sua Capela, pelo que irá ter no evento adeganha ALDEIA VIVA uma barraquinha de comes e bebes. Para além deste melhoramentos, necessita de outros, servindo esta participação para ajudar estas causas. 

EMENTA:
VINHO local
Sopa - Canja de Galinha
Entradas - salada de feijão frade/ grão de bico com atum; pão e azeitonas; queijo de ovelha;
Pratos à escolha - Carne estufada acompanhada de batata no forno, ou arroz; Milhos c/ repolho e bacalhau;
Sobremesa - fruta da época; milhos doces;

A refeição custará o preço simbólico de 7 euros, por isso não esquecer qual o intuito, pelo que se agradece qualquer generosidade.

Haverá também:
Petiscos - Alheira, chouriço e orelheira; Bifana;
Bebidas várias;
E surpresas pela tarde dentro.

Venha provar as iguarias da região e contribuir para a ajuda das obras da Sra. do Castelo. 

Um muito obrigado!











MUNDIBAILE a animar a festa no dia 14! Venha conhecê-los...


Os Mundibaile são um projecto de acção cultural cujo objectivo é divulgar danças e músicas tradicionais de várias partes do mundo para qualquer tipo de público. É um grupo em contínua evolução que serve de lugar de encontro de vários músicos e bailarinos, tendo surgido a sua primeira formação em Novembro de 2009.
A paixão pelas formas de expressão tradicionais e a vontade de as partilhar e divulgar, são a força impulsionadora deste projecto. No espectáculo dos Mundibaile o público diverte-se e apreende a diversidade formal das danças do mundo. Mais do que espectadores de uma demonstração, o público é chamado a participar, e a fazer parte da actuação.
Eles vêm do Porto e vão querer ver todos a dançar. ATREVE-TE a aparecer...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Princípio da Incerteza


"O campo já não existia com os seus caminhos e ramadas que os cobriam e portas de quinteiros onde ladravam os cães de guarda. Ouvia-se o cocoricar da galinha chamando os pintos. O fumo branco saía pela telha-vã das casas. Uma mulher de preto, com uma braçada de couves, parava para urinar de pé, sem deixar de falar a quem passava, com modo amável e sem constrangimento. Quando a tarde caía, o silêncio arredondava-se como se criasse um globo de vidro onde esbarravam os sons. As crianças que, com o crescimento, ganhavam novos sentidos e pressentiam desejos, eram dadas a segredos, contavam aparições. Ouviam-nas com respeito e ternura fria, sem as adular. Mas esses eram já avós que foram pastores. Não havia mais meninos extraordinários, todos se exprimiam como locutores da televisão e recebiam os nomes dos heróis das novelas. Sonhavam com computadores e queriam chegar depressa a um sucesso que lhes trouxesse o mundo na palma da mão.”
BESSA-LUÍS, Agustina, O princípio da Incerteza, Lisboa, Guimarães Editora, 2002, p.99.